John Lennon afirmava que, para ele, o surreal é tão real forte quanto o mundo concreto em que vivemos. Essa idéia já foi verdadeira para cada um de nós em pelo menos uma da vida: a infância. Nesta fase, providos de um alto poder imaginativo, temos um viés criativo capaz de criar múltiplos mundos, combinando elementos e cores.
Deve haver uma explicação psicológica para o fato das crianças serem naturalmente criativas, mas é bem verdade que, quando crescemos, perdemos muito desse ímpeto criativo. Basta fazer o teste de dar um lápis e um papel para uma criança e depois para um adulto, este normalmente não tem uma visão múltipla da realidade como a criança.
Penso que aí reside o problema da maioria das pessoas não se considerarem criativas, chega um certo ponto da vida no qual estas adotam a perigosa idéia de que amadurecer é se desprender de traços infantis e, nesse passo, abrem mão de parte de um fascínio imaginário.
Paralela a essa questão, ao "amadurecerem", essas pessoas se auto-restringem com medo de suas idéias não serem bem aceitas pela sociedade ou se tornarem alvo de piadas. Pode ser paradoxal, mas a mesma sociedade que clama cada vez mais por criatividade, inibe a manifestação da mesma.
Tenho refletido sobre essa questão e vejo que a criatividade é uma vertente que deve estar em constante prática e sem restrições, sempre auxiliada por referências externas.
Levando em conta o que foi retratado, é justamente por essa questão que lucy in the sky me chama atenção, me serve de inspiração criativa, me remete aos ímpetos criativos infantis, reabrindo portas fechadas há tempos e que não tenho dúvidas de que serão úteis no caminho da vida

Picture yourself in a boat on a river
With tangerine trees and marmalade skies
Somebody calls you, you answer quite slowly
A girl with kaleidoscope eyes
Cellophane flowers of yellow and green
Towering over your head
Look for the girl with the sun in her eyes
And she's gone
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