Estava assistindo CNN, um dia desses, e uma reportagem me chamou atenção, ela informava que 71% da população da Nigéria, uma das principais economias africanas, vive abaixo da linha de 1 dólar por dia, além de abordar o governo corrupto do país. Essa informação me remete ao livro "A origem de meus sonhos" de Barack Obama (minha unica referência sobre o assunto), onde é retratada tanto a pobreza, como o viés psicológico do povo africano, países como o Quênia totalmente vendidos ao "homem branco". Me perguntei, então, o que fazer a respeito?
Para se questionar sobre a distribuição de renda, acho válido, primeiro dar minhas impressões sobre o comportamento da sociedade. Levando em conta que vivemos em uma sociedade capitalista extremamente competitiva, vejo que a maioria das pessoas, assustadas com a realidade de mercado, preferem se entregar a um emprego de salário médio que garanta a sua subsistência a correr riscos. As pessoas que vão mais longe, normalmente vão por motivações egoístas e, quando ascendem na hierarquia social, gastam seu dinheiro com futilidades (lanchas, mansões, 3 ou 4 carros de luxo) visando demonstrar status. As que vão longe e se preocupam com a sociedade são raras e, aqui, surgem as grandes doações e ongs.
As ongs conseguem suprir algumas necessidades que os governos não são capazes de lidar e surgem, portanto, como uma possível saída para alguns problemas. Contudo, infelizmente, algumas ongs, como qualquer instituição, sujeita a falhas humanas, enfrentam problemas de corrupção, o que mancha um pouco o nome dessa classe e reduz a oferta de possíveis doações.
À parte desse problema, me pergunto sobre o futuro dessas instituições (que são novidade, surgiram nas últimas décadas): quantos de nós estaremos dispostos a colocar nosso dinheiro em alguma causa, cobrindo alguma necessidade que nosso governo corrupto não atende? Outro obstáculo que vejo é a nossa própria cultura que preza pela descrença em qualquer tipo de instituição, taxa os empresários quemovem o país de mesquinhos e incentiva o brasileiro a ser malandro: porque o que importa é levar vantagem, independente de como e por que.
Feitas essas considerações, pergunto, quem vai levantar esse país? Os playboys e patricinhas presos a suas futilidades cotidianas? A classe média medrosa e individualista? Talvez sejam algumas pessoas da Classe C que subirem na hierarquia social e, sabendo das necessidades, invistam em alguma causa e algumas iluminadas das classes A e B. Mas ainda é pouco. É preciso disseminar esse questionamento, talvez possa resultar se não em um futuro menos desigual, num futuro menos doloroso para quem passa por dificuldades.
Uma música chamada "Punk Rock Song" (minha favorita da banda Bad Religion) me sensibiliza nesse sentido. Na música, o compositor faz uma crítica à sociedade atual e, aqui, acho válido dizer que nunca vi uma crítica tão bem feita em uma música, retratando a postura política mundial, a situação de pobreza e o comportamento das pessoas, que buscam refúgios para ignorar a situação.
Gostaria de citar também o documentário "The Corporation", de Michael Moore, uma obra prima cinematográfica que todo cidadão vivo deste planeta deveria assistir. O documentário aborda diversas questões, dentre elas, o perfil, similar ao de um psicopata, das grandes corporações empresariais, que fazem um mal incalculável à sociedade e agravam a pobreza ao redor do mundo (para exemplificar, basta citar a exploração da mão de obra feita pela Nike e tantas outras empresas em países como a Indonésia).
Também considero importante acrescentar alguns dados que retirei do texto "Economia da Comunicação", de Ladislau Dowbor. O texto trabalha o dado divulgado pela ONU de que seriam necessários 40 bilhões de dólares por ano para se garantir acesso universal a serviços básicos. Dowbor compara esse dado aos, também anuais, 500 bilhões gastos em publicidade e 780 bilhões em gastos militares. O autor termina por comparar os 17 bilhões gastos em alimentação de animais domésticos na europa e nos Eua, quando seriam necessários 13 bilhões para assegurar saúde para a população mundial. Dados que apenas exemplificam o sistema crítico e caótico descrito em "The Corporation".
Para concluir, gostaria de citar um trecho de "Punk Rock Song": like ants in a colony, we do our share. But there's so many other fuckin' insects out there. E recomendar Tropa de Elite 2, o melhor filme do cinema nacional que eu já vi, um filme bem crítico, que mostra como o sistema é complexo e serve não a sociedade, mas a si mesmo. Esses dois aspectos, aliados a problemas ambientais que não cabem retratar neste post, fazem me perguntar se algum dia essa situação será revertida, pois o problema do homem parece realmente ser o próprio homem. E se a situação é essa, sugiro que tenhamos como objetivo tornar menos sofrível a vida de quem deu azar de nascer pobre.
Punk Rock Song, letra e música:
http://letras.terra.com.br/bad-religion/2994/
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